sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

MEDITAÇÃO



Meditar é uma forma de, simultaneamente, nos afastarmos e aproximarmos do mundo. A meditação conduz a uma maior harmonia interior e com tudo o que nos rodeia.
Nem sempre é fácil meditar, é necessário treinar a  mente e o espírito para a meditação. Os resultados, em termos de felicidade, não são imediatos, mas sim graduais.
Todos os povos têm, desde tempo ancestrais, a sua forma de manifestar e desenvolver a espiritualidade e, também, formas diferentes de meditar. 
Não existem tipos ou formas de meditar melhores do que outras.  Existe, sim, a nossa predisposição para nos tornarmos melhores pessoas, para evoluirmos e para, cada vez mais, alcançarmos uma maior sabedoria.
A Meditação não é uma varinha mágica que resolve todos os problemas e que, só por si, conduza à felicidade, é antes uma disciplina, um método, uma forma de estar na vida,  que nos permite alterar de uma maneira positiva e espiritual a nossa perspetiva sobre nós mesmos, sobre o mundo que nos rodeia e sobre a realidade e, por essas razões, pode contribuir de forma decisiva para a felicidade  de cada um.

História

A meditação é algo que podemos situar entre a concentração e a contemplação e é, frequentemente, associada às religiões orientais. A prática da meditação é quase tão antiga quanto a humanidade, sendo que os mais antigos achados históricos, relativos a esta prática, são originários do antigo Egito.
Aparentemente, a prática da meditação não parece ser  originária de um povo ou região específicos, pois desenvolveu-se em culturas diferentes, recebendo também diferentes nomes. O Egito, a Índia, o povo Maia, a China ou o Japão são exemplos de povos ou regiões onde, desde há muito, a prática da meditação é uma realidade.
Embora, normalmente, se associe meditação à espiritualidade ou religiões, esta pode também ser praticada como um instrumento para o desenvolvimento pessoal, num contexto não religioso.
Etimologicamente, a palavra meditação, vem do latim, meditare, que significa voltar-se para o centro, no sentido de desligar-se do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si. Em sânscrito é chamada dhyana, obtida pelas técnicas de dharana (concentração), no chinês diz-se Ch'anna, em japonês denomina-se Ch'an e Zen e em páli é Jhana.

Prática

Através da meditação dá-se uma espécie de desligar, por alguns momentos, do mundo material e das emoções ou problemas que nos atormentam. A meditação não é uma panaceia, não resolve problemas, nem gera milagres. Mas, a sua prática, ajuda-nos a colocar os problemas em perspetiva, a controlarmos melhor as nossas emoções negativas, a acalmarmo-nos, a ver o mundo de uma outra forma e a ficarmos em sintonia com o universo e toda a sua energia, a qual podemos absorver e utilizar para nos sentirmos em paz connosco próprios e com o mundo. 
Posteriormente, existe todo um trabalho pessoal, práticas, atitudes e comportamentos que nos permitirão resolver problemas ou olhá-los de uma outra maneira, mas a meditação não substitui, de forma alguma, o nosso "trabalho" pessoal.
A meditação é, portanto, uma forma de entrarmos em contato com o nosso eu profundo e com o universo que nos rodeia e do qual somos parte integrante.
A ciência ainda não conseguiu explicar, até hoje, uma enorme variedade de fenómenos produzidos pelo nosso cérebro e desconhece, igualmente, muitas das inúmeras capacidades que este tem. Contudo, podemos constatar, diariamente, que conseguimos melhores resultados em qualquer área, quando nos sentimos bem connosco e com os outros, da mesma forma que, naqueles dias em que acordamos maldispostos, tudo quanto é negativo parece vir ter connosco. 
Existem períodos na nossa vida em que tudo de mau parece acontecer-nos e, embora, façamos, ou julguemos que fazemos, tudo ao nosso alcance para sair dessas situações o melhor possível, no dia seguinte aparece logo outra coisa negativa na nossa vida, para nos perturbar.
Que eu conheça, não existem fórmulas secretas para alterar esses ciclos negativos.   A vida é um caminho, o qual pressupõe uma contínua aprendizagem.   Os degraus que somos obrigados a subir, as escolhas que temos que fazer, as quedas que damos pela nossa própria falta de equilíbrio, ou pelas rasteiras que a vida nos prega, ao longo desse caminho, são, em si mesmas, a maior fonte de aprendizagem, mas, quanto mais rapidamente ultrapassarmos uma etapa, mais rapidamente adquirimos maior conhecimento e sabedoria e, também, mais rapidamente nos serão propostos novos desafios.
A meditação é um poderoso auxiliar na nossa caminhada, ajuda-nos a manter o equilíbrio e a calma, a abrir o espírito e a mente a novas ideias, projetos ou soluções, a mudar comportamentos e atitudes. 

Regras e Técnicas


Não existem regras muito específicas ou uma técnica única para meditar. Tanto podemos meditar sozinhos como em grupo. Podemos, ou não, utilizar Mantras (sílabas, sons  ou frases,   que produzem vibrações transcendentais e determinados  efeitos de elevação espiritual, naquele que o utiliza;  sentarmo-nos na posição de lotus; acreditar na existência dos chacras  (chacras ou xacras, também conhecidos pela grafia chakras, são canais dentro do corpo humano (nadis) por onde circula a energia vital (prana) que nutre órgãos e sistemas)
O essencial é conseguir distanciarmo-nos do mundo material e dos problemas e fazer uma caminhada pelo nosso eu interior, que, estranhamente, nos colocará em comunhão com a natureza e o universo, demonstrando-nos que somos, afinal, uma e a mesma coisa.
Cada pessoa pode ter a sua forma ou até local próprio para meditar, mas, basicamente, deve escolher-se um lugar calmo, onde seja improvável virem incomodar-nos. Tanto poderá ser dentro de casa como na rua, em contato com a natureza. Poderá ser colocada uma música de fundo, apropriada para relaxamento e meditação e, obrigatoriamente, nunca tão alta que produza qualquer tipo de distração da meditação pretendida.

Proposta de meditação


  1. Sente-se confortavelmente, num local calmo;
  2. Descontraia os músculos, rodando os braços e o pescoço, espreguiçando-se;
  3. Relaxe;
  4. Esvazie o pensamento;
  5. Feche os olhos;
  6. Concentre-se no seu corpo. Primeiro nos dedos dos pés e descontraia-os, depois as pernas, as nádegas e o sexo, a barriga, o peito, as costas, os braços e mãos, o pescoço e o rosto e, finalmente, o seu cérebro.  Relaxe lentamente e acompanhe este relaxamento de inspirações profundas. 
  7. Continue de olhos fechados, procure ouvir os sons da natureza que o rodeiam;
  8. Imagine que os seus pés têm raízes invisíveis, que se encontram ligadas à terra. Através delas liberte toda a sua energia negativa, todas as suas dores, medos, tristezas, ansiedades, culpas.....  
  9. Imagine agora um céu com nuvens suaves que se dirigem para si. Procure visualizá-lo.
  10. Imagine que, de entre essas nuvens, uma se destaca, é mais brilhante do que as outras e para diretamente por cima de si. Então, uma chuva de brilhos cai sobre si, lavando-o, purificando-o, libertando-o de todos os males e aflições, rejuvenescendo-o, curando-o.
  11. Imagine, agora, que se encontra no meio da floresta, completamente livre e liberto. Oiça o poderoso pio da águia ou do falcão, visualize-os cruzando os ares. Oiça o som da água que corre num rio próximo. Oiça a queda de água à distância. Sinta a brisa suave que transporta o cheiro das flores. Oiça os sons da floresta.
  12. Sinta-se livre, liberto, até da própria gravidade. Visualize novamente o céu, um céu com nuvens esparsas e aves esvoaçando livres. Eleve-se, liberte-se, não sinta medo, e voe. Veja as montanhas longínquas, aproxime-se delas. Veja-as do alto. Faça um voo picado em direção ao lago. Molhe o rosto na espuma das cataratas. Observe os ninhos. O coelho que corre veloz, fugindo às garras de um predador.
  13. Visualize os cavalos selvagens que galopam livres na pradaria, voe sobre eles, sinta o seu bafo quente, oiça os cascos batendo na terra.
  14. Voe, voe, por onde quiser, durante o tempo que lhe apetecer, não sinta medo, na sua viagem não há acidentes, nem quedas.
  15. Regresse quando quiser. Inspire profundamente. Permaneça de olhos fechados durante algum tempo. Sinta a paz que o rodeia. Sinta a paz dentro de si.
  16. Abra os olhos. 
  17. Está agora preparado para enfrentar o mundo, um novo dia, um novo problema. 
  18. Poderá sempre voltar àquele lugar onde pode voar. Sempre que precisar recuperar as forças, sempre que precisar de paz, sempre que estiver triste, sempre que precisar, sempre que lhe apetecer.
  19. Esse lugar ajudá-lo-á a encontrar a melhor solução, a melhor atitude e a viver em paz consigo próprio, com os outros, com o universo e com Deus.
Boas meditações 












 UBUNTU - “Eu sou porque nós somos”

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