terça-feira, 16 de setembro de 2014

MANTER O RUMO


Encontrar e entender o Divino, a Alma, Deus, a Energia do Universo ou o Todo é, nesta ínfima parte do Universo que conhecemos, uma preocupação exclusiva dos humanos. Os restantes seres da criação, os quais são sagrados também, aceitam a sua condição e a sua vida com a naturalidade daqueles que não têm pensamento reflexivo, não questionando assim a sua própria existência e natureza.
Todos, homens, animais, vegetais ou minerais, somos obra de Deus, do Todo, de um Ser Superior, ou de seja o que for que lhe queiramos chamar, mas apenas os homens questionam a sua origem, a sua moralidade e o sentido da própria vida.
Cada vez mais, temos a clara noção de que para encontrar Deus, ou o Divino, é necessário que o procuremos dentro de nós próprios. Essa pode ser uma tarefa árdua e difícil. A tarefa de uma vida.
Mas, mais difícil, do que encontrá-Lo dentro de nós, é manter a "chama viva" após um vislumbre de Deus.
Às vezes, até ficamos com a sensação de que quanto maior é a nossa entrega e espiritualidade, mais a nossa vida se torna complicada, mais os problemas nos procuram. O que, de certa maneira, nos parece injusto e incompreensível.
Na verdade, quanto mais próximos de Deus nos sentimos, mais nos encontramos despertos para as dores e injustiças à nossa volta e, simultaneamente, mais nos damos conta das nossas próprias contradições e limitações e mais o nosso ego e a nossa complexa mente se rebelam contra a perda do seu domínio e primazia.
Colocarmo-nos completamente nas mãos de Deus é visto pelo ego e pela mente como uma perda de autocontrolo e, portanto, como algo desconhecido e perigoso.
Por outro lado, o facto de nos colocarmos nas mãos de Deus não nos dispensa de termos que lutar para alcançar os nossos objetivos, de termos que trabalhar árdua e persistentemente nos nossos projetos, nem, muito menos,  da necessidade e capacidade para tomar decisões e fazer escolhas. Não nos "livra" dessa imensa bênção / liberdade e castigo / prisão que é o  livre arbítrio.
Caminhar para o interior de nós próprios é Caminhar para Deus, para o Universo, para Todo incognoscível.
Na maior parte das vezes, esse caminhar é doloroso, acima de tudo, pela resistência que opomos ao próprio Caminho, em virtude da dificuldade que temos em compreender que só teremos acesso ao incognoscível  se abrirmos o nosso coração, pois ele não é passível de ser compreendido ou conhecido pela mente humana. 
Conhecê-Lo e compreendê-Lo está reservado a algo bem maior, mais poderoso e mais sábio que vive dentro de nós. Esse algo é, na verdade, o próprio Deus, o Todo. É aquela Voz que nos fala quando conseguimos, por momentos, silenciar a mente, quando nos distanciamos do mundo materialista. É aquela imensa Energia que vive dentro e em redor de nós. É o infinito Amor que sempre nos envolve, ampara, guia e protege.
Fazer o Caminho é crescer e crescer é, quase sempre, doloroso.

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