quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O TEMPO E A PRESSA


Quem me dera que já fosse fim de semana. 
Nunca mais chegam as férias.
Como estou ansiosa por ver o meu filho dar os primeiros passos.
Como gostaria de já ter acabado o curso.
Ele nunca mais se declara.
Não vejo o dia em que vou pagar a última prestação do carro.
Queria tanto já ter 18 anos para poder tirar a carta.


Reconhece-se em alguma ou muitas destas frases, ou outras semelhantes? Certamente que sim.
Todos vivemos na expetativa de alguma coisa, aguardando ansiosamente que algo chegue ou se realize.
Desperdiçamos o hoje, obcecados com o futuro ou, inversamente, presos ao passado.
Entretanto, inexoravelmente, o tempo passa e, de cada vez que alcançamos um objetivo, acabamos, na maior parte dos casos, por não apreciar verdadeiramente o momento, pois a nossa mente já se encontra ocupada com novos objetivos e desejos que, ansiosamente, queremos concretizar o mais rapidamente possível. E, a história repete-se continuamente.
O passado, esse, ficou lá atrás. A última palavra que estou escrevendo neste texto já se encontra no passado e, se aqui ainda posso voltar atrás, escrever de novo ou mesmo apagar este texto, nada poderá apagar o facto de a ter escrito. 
Não há borracha, nem corretor ou "eliminador" para apagar o que dissemos ou fizemos.
As escolhas que fizemos "ontem", ainda que possam não ter sido as mais corretas, são as que tivemos capacidade, necessidade ou possibilidade de fazer.
O passado serve, então, para recordar, para aprender, para nos ajudar a tomar decisões no presente e não para nos autoflagelarmos, massacramos ou entristecer.
O passado é a nossa bagagem mas, tal como não levamos todos os nossos pertences de cada vez que fazemos uma viagem, porque a maioria deles não teria qualquer utilidade, além de que não teríamos forças para transportar sozinhos uma enorme quantidade de malas, também não necessitamos transportar para o presente uma imensa quantidade de tralha inútil que apenas teve justificação, foi útil ou fez sentido no passado.
Libertarmo-nos do "peso" do passado é tão essencial quanto não vivermos ansiosamente aguardando o futuro, para que possamos viver o presente da melhor forma possível.
No nosso crescimento pessoal ou vida espiritual passa-se exatamente o mesmo. Quanto mais estivermos presos aos nosso erros, mais dificuldade temos em caminhar ou evoluir "hoje".
Quanto mais "urgência" tivermos de atingir o "entendimento", de nos encontrarmos a nós próprios ou ao Poder Supremo, mais dificuldade teremos de iniciar novas etapas, porque não estamos atentos aos ensinamentos, sensações e momentos fundamentais do presente.
O Presente é em português um sinónimo de prenda e, na verdade, é exatamente isso que ele é. O Presente é uma dádiva, um milagre, um momento único e irrepetível  e é, de facto, o único "tempo" em que podemos Viver.
Aprecie, desfrute, respire e Viva o seu Presente. Ele foi-lhe dado para que "sinta" e escolha o seu Caminho. Não tenha pressa. O Futuro está já ali, escorregando do imenso ponteiro que delimita a vida.


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